sábado, 5 de junho de 2010

Que ninguém tenha pena. Apenas um desabafo, um estado de alma.

A minha mãe continua na sua luta diária contra aquela maldita doença. Falo com ela quase diariamente e o mais difícil é fazer parecer que tudo está bem, que ando bem e que tudo se passa ás mil maravilhas.
Ouço-a bem disposta, animada. Faz-me ter força.
Mas não ando bem. Nem posso andar.
Imaginar a minha mãe sem forças, sem cabelo e com tudo o que aquela maldita doença traz deixa-me de rastos.
Fazer pensar a toda a minha família que ando bem disposto começa a ser quase impossível. Acho que ainda bem que estou longe deles. Ninguém me vê. Os meus colegas de trabalho têm sido excelentes. Os meus supervisores fantásticos. Mas tudo isto começa a ter repercussões a nível profissional. A fronteira que eu tinha delineado começa a reduzir-se. O peso começa a ser insuportavel.
Entrei agora de fim de semana. Acho que é o pior. Mais tempo para pensar. E eu que sempre fui contra aqueles que pensavam demais. Paradoxos da vida.
Pesquiso na net relatos de pessoas que se salvaram e que hoje levam uma vida perfeitamente normal. São, neste momento, as minhas tábuas de salvação. Agarro-me a esses relatos com todas as minhas forças.
Quero muito acreditar.
A minha mãe não merece.

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