Completei, há poucos dias, mais um aniversário. Entrei na recta final dos "inta" e tenho para mim que, a partir de agora, será um ápice até chegar aos "enta".
Não me incomoda minimamente. Tento viver a minha idade o melhor que posso e sei.
Quando somos mais novos, temos aqueles sonhos do que queremos ser, ter, fazer...Aquela visão perfeita da vida que com o passar dos anos nos vamos apercebendo que, afinal, não é bem assim. Há muitos obstáculos que tentamos ultrapassar da melhor maneira e que nos vão dando a experiência necessária para outros que aparecerão.
Na minha vida, ultrapassei vários, outros houve que evitei, outros que não soube ultrapassar e talvez tenham existido ainda outros pelos quais não me apeteceu lutar. Mas com todos eles aprendi. Dizer hoje que faria tudo igual seria estar-me a mentir a mim próprio. No entanto, todas as decisões que tomei fi-lo sempre com a convicção de que era o melhor. E não necessariamente para mim. Quem ler isto vai certamente pensar "Ah e tal...Este está a querer dizer que fez mais pelos outros que por ele"...E não é o caso. Não sou melhor, nem pior que os outros e também tomei decisões que magoaram outras pessoas, porque todos temos algo de egoísta em nós. E eu não sou excepção.
Uma das coisas que mais tenho aprendido com a idade é a conhecer os meus receios. Quando era novo, não tinha medo de nada. Arriscava em tudo, umas vezes resultava, outras nem por isso, mas o risco era permanente. Pensava pouco nas consequências. E tinha que as "aguentar". Hoje é um pouco diferente.
Quem me conhece, sabe que a minha vida mudou mais nestes últimos cinco anos, que em todos os anos que antecederam. Talvez seja assim para todos, não sei. Desde coisas que tinha quase como certas e que, por vários motivos, não se concretizaram a outras que achava completamente impossível de suceder e que acabaram por acontecer. Se calhar é isto a que se chama experiência de vida.
Hoje, aquela sensação de surpresa, aquela "coisa" que se sente quando somos supreendidos pela vida, não é tão acentuada. Acho que a idade traz isso, uma certa forma de prever as coisas, o que não impede de esperarmos sempre algo.Sempre.
Como perguntou Pablo Neruda :" Sofre mais aquele que espera sempre do que aquele que nunca esperou ninguém?"
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
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