terça-feira, 5 de agosto de 2008

Adeus, ó maluco!

Oficialmente estou de férias desde o passado dia 1, mas pronto, sei que estas férias serão diferentes. Quando vim para cá, pensei que faria a formação e que depois iria de férias para não voltar mais, mas as coisas raramente saem conforme as planeamos. Pelo menos no meu caso.
Não sei quanto mais tempo aqui vou estar, não depende de mim, mas pior que isto, é que não sei o que vou fazer depois. Não sei bem o que quero neste momento! Não sei se me apetece mudar tudo, se algumas coisas, se nada...Vida estranha esta.

Sou natural de uma pequena localidade onde todos se conhecem e embora não viva lá, gosto de lá ir de quando em vez, ver a família, os amigos... E todos os anos, no primeiro fim de semana de Agosto, tentamo-nos juntar para jantarmos e reavivarmos os velhos e bons momentos da nossa adolescência. Muitos de nós, só nos vimos por essa altura e é, muitas vezes, com alguma surpresa que vimos o quanto mudamos em alguns aspectos. Uns mais gordos, outros mais magros, uns carecas, outros casados, outros divorciados, com filhos, sem filhos... Este ano, não poderia estar presente, mas tinha na ideia telefonar e conversar com alguns deles.
Mas desta vez não houve. Foi anulado. O motivo foi a perda de um dos "nossos" na noite anterior.
Há como uma espécie de maldição na vila de onde sou natural, durante o mês de Agosto. Já não se contam as pessoas que desapareceram durante esse mês. E muitas vezes no primeiro fim de semana, na altura da festa anual. Sempre "malta nova", com a vida pela frente.
Talvez o facto de se estar de férias nos leva a cometer excessos, a viver as coisas sem pensar em mais nada, apenas e só em nos divertirmos, em rir, etc.
Não era um rapaz da idade da maioria do "nosso" grupo. Era dos mais novos "membros". Mas já era dos "nossos". Quando recebi a notícia fiquei sem reacção. Éramos vizinhos, talvez isso fizesse com que tivéssemos maior contacto. Tinha 24 anos, a idade de um dos meus afilhados, o que me fez pensar em coisas, muitas coisas... Tínhamos uma maneira muito peculiar de nos cumprimentar. Eu cumprimentava-o sempre com um "Olhó maluco" e ele com um "Maluco, maluco és tu"...
Não vou escrever aqui que ele era isto ou aquilo...Eu sei o que ele era e o que guardarei dele.

Adeus, ó maluco.

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